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– Pesquisa brasileira publicada na Nature analisou 365 jogadores profissionais
– Punho, lombar e pescoço são as regiões mais lesionadas
– Pausas e ergonomia ajudam a prevenir problemas
Os eSports têm atraído cada vez mais atletas, mas a carreira de um jogador profissional vai além de habilidades tática, a saúde física também importa. Foi justamente essa lacuna que motivou um estudo brasileiro publicado na Nature Scientific Reports, uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo, que analisou os riscos de lesões em jogadores de alto desempenho.
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Liderada pelo pesquisador Natanael Teixeira Alves de Sousa, com colaboração do fisioterapeuta especializado em e-sports Vitor Kenji Issi e autoria principal de Cassius Iury Anselmo e Silva, a pesquisa analisou 365 jogadores brasileiros. Entre eles, 113 atletas de League of Legends (LoL) relataram lesões musculoesqueléticas nos últimos 12 meses.

O perfil médio do gamer estudado é típico da cena profissional, com idade em torno de 20 anos, 87% homens (mas com participação feminina relevante), mediana de seis anos de prática, cerca de cinco horas jogadas diariamente e seis dias de atividade por semana.
O “Tier List” das lesões
O estudo mapeou as regiões mais afetadas pelo uso excessivo, considerando apenas as lesões que levaram ao afastamento ou redução de carga de treino dos jogadores.
- Punho (28,5%): líder absoluto, resultado de milhares de movimentos por minuto com mouse e teclado;
- Coluna lombar (20%): consequência direta de longas horas sentado, muitas vezes com ergonomia inadequada;
- Mãos (18,3%) e dedos (15,9%): fadiga muscular intensa devido à repetição constante de comandos;
- Pescoço (14,8%): associado à postura típica de cabeça projetada para frente.
- Ombros (9,6%): tensão estática prolongada durante partidas.
Vale ressaltar que essas estatísticas consideram apenas lesões graves. Desconfortos ignorados pelos jogadores aumentariam ainda mais esses números.
Fatores de risco
Jogar parece ser algo inofensivo, mas para quem vive o dia a dia competitivo, os efeitos podem ser diversos. O estudo mostra que cada ano a mais de prática aumenta em 11% o risco de lesão no punho, e cada dia extra de treino por semana eleva esse risco em 18%.

Além disso, sessões longas de gameplay também estão por trás de dores crônicas no pescoço e na lombar. Ainda assim, os pesquisadores lembram que o problema não é só tempo de jogo, mas outros fatores como postura, preparo físico, sono e estresse também entram na conta.
Homens e mulheres: risco semelhante
Embora a maioria dos participantes seja do sexo masculino, o estudo não encontrou diferenças tão grandes entre homens e mulheres. Ou seja, quando a rotina de treino são similares, homens e mulheres compartilham risco equivalente de lesões.
Prevenção: o novo “meta” dos eSports

Muito se discute sobre os efeitos colaterais, mas é possível se prevenir? Com isso, o estudo vai além do diagnóstico e apresenta algumas recomendações para preservar a saúde e manter a performance dos jogadores, confira:
- Gestão de carga: incluir ao menos um dia de recuperação total por semana e pausas de 5 a 10 minutos a cada 2 ou 3 partidas;
- Ergonomia: monitor na altura dos olhos, cotovelos a 90°, punhos neutros e cadeira com apoio lombar adequado;
- Fortalecimento específico: exercícios para antebraço, punho, dedos, core e ombros 2 a 3 vezes por semana;
- Sono e recuperação: manter horários regulares e quantidade adequada de sono;
- Acompanhamento profissional: fisioterapeutas e médicos podem identificar sobrecarga precocemente.
O estudo completo pode ser acessado online na plataforma da Scientific Reports, do grupo Nature. Interessados podem consultar o artigo pelo DOI 10.1038/s41598-026-41487-2, que traz todos os dados, análises e recomendações.