– Micron enfrenta críticas após descontinuar a marca Crucial
– Empresa diz que a escassez global de DRAM pode persistir até 2028
– Consumidores podem ver preços altos e disponibilidade limitada de memória RAM e SSDs
De acordo com uma publicação do Tom’s Hardware da última segunda-feira (12), a Micron Technology, uma das maiores fabricantes de memória do mundo, tem enfrentado forte reação após anunciar a descontinuação da marca de produtos para consumidores, Crucial, responsável por módulos de memória RAM e SSDs voltados ao mercado de PCs e entusiastas.
A empresa disse que essa decisão faz parte de uma estratégia maior de priorizar clientes corporativos e de infraestrutura de IA (inteligência artificial), e advertiu que a escassez global de DRAM pode persistir pelo menos até 2028.
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Vale lembrar que a decisão de acabar com a marca Crucial e realocar a capacidade de produção para soluções de memória de alto desempenho e grande escala, como HBM (High Bandwidth Memory), usado em data centers de IA, gerou críticas acaloradas de consumidores, construtores de PCs e entusiastas que dependem de módulos acessíveis e disponíveis no varejo.
Por isso, a Micron, por meio de Christopher Moore, vice-presidente de marketing e unidade de clientes, respondeu às acusações dizendo que “a percepção pode não ser exatamente correta” e que a empresa ainda busca “ajudar consumidores ao redor do mundo”, inclusive por meio de fornecimento de módulos LPDDR5 a fabricantes de notebooks e outros dispositivos como Dell e ASUS.
O que explica a crise?

Analistas do Tom’s Hardware explicam que a escassez é impulsionada por um aumento sem precedentes na demanda de memória para aplicações de IA e data centers, que agora representariam de 50% a 60% da demanda total do mercado, um salto expressivo frente aos aproximadamente 30–35% de anos anteriores.
Essa explosão de demanda fez com que fabricantes como Micron, Samsung e SK Hynix alocassem a maior parte das capacidades para clientes corporativos de alto volume, deixando menos memória disponível para PCs, notebooks e dispositivos tradicionais.
Micron admite dificuldades
No mais, a Micron reconheceu que a capacidade atual da empresa atende apenas 50% a 66% da demanda total do mercado, e que construir novas fábricas e expandir a produção leva anos.
Pensando nisto, a empresa está investindo em grandes projetos de fabricação, como uma fábrica em New York que deve ser um dos pilares de produção de DRAM nas próximas décadas, e uma instalação em Idaho projetada para começar a operar em 2027.
No entanto, o aumento significativo de oferta que poderia aliviar a escassez deve demorar até 2028 ou além, quando essas novas plantas estiverem operacionais e com capacidade substancial de produção. Sendo assim, devemos continuar vendo a dinâmica de preços mais altos e disponibilidade mais reduzida de memória RAM e armazenamento em geral, afetando tanto consumidores quanto fabricantes de PCs.