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Como é ser uma pessoa preta no cenário de eSports? Coach Samyy responde

O técnico comentou que "esperou seu lugar ao sol" para poder chegar onde está hoje

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– Como é ser um preto no cenário de eSports
– Entrevista com Coach Samyy, do Fluxo W7M
– Técnico falou sobre sua nova função

O Fluxo W7M conseguiu sua segunda vitória no CBLOL (Campeonato Brasileiro de League of Legends) na última terça-feira (14), em cima da LOUD e a redação da Pichau Arena entrevistou o coach Mayoah “Samyy” Samson e falamos sobre sua nova função, pressão por estar no FXW7M e como é ser uma pessoa preta nos eSports.

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Como é ser uma pessoa preta no cenário de eSports?

Samyy contou um pouco de sua trajetória desde o início no League of Legends, ainda como analista, e que esperava seu lugar ao sol, ainda revelou que tem em mente projetos sociais, mas que não consegue por em prática sozinho.

“Nossa, ótima pergunta. Para mim, sempre foi muito difícil. Eu começo no LoL em um momento de dificuldade financeira da minha família, e vejo no LoL uma oportunidade de poder fazer o meu trabalho.”

“Então, começo como analista, mas nem entendia muito bem. Eu sabia um pouco de planilha, mas a gente não tinha o que temos hoje […] os dados vindo todos pela API. Na época, não tínhamos acesso a essas informações, então era tudo muito manual. Eu basicamente era um assistente ali, anotando as coisas, os dados, e esperando o meu lugar ao sol. Esperei bastante tempo, estou há muito tempo nisso.”

“Estou longe ainda de chegar onde eu quero. E, sobre o assunto que você falou, sobre poucos negros, acredito que seja muito pelo país em que a gente vive. Desculpa tocar no assunto social, mas é muito importante. Hoje, a gente vive numa sociedade onde não temos tanto acesso a uma boa placa de vídeo, por exemplo.”

Foto: reprodução/Riot Games

“O valor de uma placa de vídeo… como é que você abre mão de um dinheiro do mês para comprar uma placa de vídeo para o seu filho e apostar em algo que você nem sabe se vai acontecer? Então, é um esporte, sendo bem sincero, de classe média para classe média alta.”

“Isso é muito reflexo do que a gente vê na sociedade. Claramente, poucas pessoas, poucos pretos têm acesso de estar chegando onde eu estou hoje, de poder dar uma vida boa para a família. Ainda estou longe, tá, gente? Não estou rico, longe disso, mas consegui dar uma boa vida para minha mulher, para o meu filho, ajudar minha mãe.”

“Então, com certeza, isso me incomoda muito. Tenho muitas ideias de projetos sociais, de tentar trazer mais pretos para o cenário, para que mais pessoas possam mudar de vida, assim como eu pude mudar a vida da minha família. Espero um dia conseguir. Preciso de gente para fazer isso, não consigo sozinho, mas é algo que, com certeza, batalhando firme e chegando onde eu quero chegar, eu vou conseguir”.

Para finalizar, deu um recado para o pretinho e a pretinha que pensam em entrar no cenário.

“Pretinho, pretinha que estão batalhando duro: continuem firmes. Sei que é difícil, sei que várias vezes vai ter porta fechada e você não vai saber o porquê, mas não importa. Continua, continua que vai dar certo.”

“Não olhe para trás, não escute quem não construiu nada. Continua batalhando, deixa os haters falarem. Se apoia em quem vocês têm como referência, que um dia a oportunidade vai aparecer. Só perde quem desiste.”

No começo do ano a organização teve duas adições na comissão técnica: Andres “Guchi” Castro e Brandon “Nothing” Merlo e desde então, ambos passaram a tomar mais conta da parte de dentro do jogo, enquanto Samyy fica responsável por fazer com que todo mundo mostre o que tem de melhor e explicou a dinâmica entre os três:

Quando a gente trouxe os dois, já no split passado, já trouxe com a ideia deles cuidarem do jogo, então, o Nothing é um cara que jogou no bot, o Guchi jogou na jungle no LLA. Então eram caras que entendiam do jogo e já tinham trabalhado como coach e já tinham trabalho com jogadores que estavam na lineup.

Então a gente confia totalmente neles e falamos que basicamente nossa staf não tem ego, então não quero assumir tudo, fazer tudo. Se eu tenho caras que são bons no que fazem não tem para que eu querer assumir ou deixar alguém de lado ou não ajudar o cara a performar o melhor dele.

Então acho que essa é minha função, fazer com que todo mundo mostre o que tem de melhor e tem sido bem bom a parte de jogo deles. – Samyy

Foto: reprodução/Riot Games

Entrevista Ping Pong com Samyy, um dos técnicos do Fluxo W7M de LoL

Pichau Arena: Tinha uma pressão para vencer a LOUD?

Samyy: “Quando a gente entra pra jogar com a camisa do FLuxo a pressão já existe por natureza. Então, mais um dia de pressão, como sempre falo, quando a gente veste camisa de time grande é um privilegio essa pressão.”

“Então, quem compete sabe o privilegio que é ter a pressão todos os dias de você ser o melhor possível e performar da melhor maneira possível, então é mais um dia normal?”

Pichau Arena: Sensação de alívio ou de só mais um dia?

Samyy: “Com certeza sensação de alívio por como jogamos o jogo dois e três. Já tem um rumor, de muito tempo, de: “Ah, porque que o Fluxo não consegue performar igual performa nos treinos” e isso incomoda a gente realmente. Não por conta da cobrança externa, mas da cobrança realmente interna dessa pressão que eu falei que já existe internamente.”

“Mas claro que dá um alívio a vitória, mas eu postei hoje anteriormente e postei hoje de novo que não é porque a gente ganhou que somos o melhor time e também não é porque perdemos que somos o pior time. A gente continua trabalhando tentando buscar a consistência do time e queria dar um mérito grande aqui para meus coaches.”

Próximo jogo do Fluxo W7M no CBLOL

Foto: reprodução/Riot Games

Sábado (18)

  • Fluxo W7M x FURIA – 13h (horário de Brasília)

Você pode acompanhar todos os jogos nos canais oficiais do CBLOL na Twitch e no YouTube.

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