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EUA não produzirão mais chips em território nacional; entenda

Negociações comerciais e pressão geopolítica no setor de semicondutores

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– Taiwan rejeitou formalmente a exigência dos EUA de que metade dos chips para o mercado americano seja fabricada nos EUA
– Proposta dos EUA reflete uma estratégia de “onshoring” para fortalecer segurança de cadeia
– recusa destaca os limites práticos, políticos e tecnológicos de forçar migração de produção de semicondutores

Segundo publicado pela Reuters na última terça-feira (30), um novo episódio nas negociações comerciais entre os Estados Unidos (EUA) e Taiwan veio à tona: o governo taiwanês rejeitou formalmente uma proposta dos EUA para que 50% da produção de semicondutores destinados ao mercado americano fossem fabricados em solo estadunidense.

A oferta foi mencionada publicamente pelo secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, em uma entrevista, na qual ele defendeu a meta de reduzir a dependência externa dos EUA no fornecimento de chips avançados, sugerindo que metade da demanda americana deveria ser produzida internamente. No entanto, a vice-primeira-ministra de Taiwan, Cheng Li-chiun, declarou que a ideia de “divisão 50-50” nunca foi objeto de compromisso nas negociações e que o país não aceitaria tal condição.

É importante entender que Taiwan abriga parte essencial da capacidade global de fabricação de semicondutores, sendo lar de empresas como TSMC, que respondem por grande fatia da produção avançada do mundo.

Os EUA, por sua vez, vêm pressionando para trazer parte dessa produção de volta para solo americano (modelo “onshoring”), como estratégia de segurança de cadeia, resiliência e menor dependência geopolítica.

Implicações e análise

TSMC
Imagem: Reprodução/TSMC

Também pesa o fato de que fabricar chips avançados (nódulos de ponta) nos EUA enfrenta desafios notáveis, como custos de construção, logística, mão de obra especializada e regulamentações mais restritivas. Além disso, o governo taiwanês deseja manter controle sobre as tecnologias mais críticas e não transferir os ensinamentos à indústria dos EUA.

A recusa de Taiwan sinaliza que, apesar da pressão dos EUA, a estratégia de obrigar migração forçada de produção é politicamente e tecnologicamente delicada. Para os EUA, há risco de que a meta 50-50 seja vista como excesso de demanda ou imposição insustentável. Para Taiwan e TSMC, abrir mão da liderança tecnológica pode comprometer vantagem competitiva e independência estratégica.

No panorama mais amplo, essa tensão reforça o valor geopolítico dos semicondutores: países detentores dessa capacidade têm poder de barganha. A estratégia norte-americana de diversificação da cadeia — por meio de incentivos, tarifas, subsídios e legislação (como o CHIPS Act) — ganha força, mas depende de parceiros dispostos.

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