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– Alex Barone detalhou a dublagem de Jarvan IV no LoL
– Ator explicou a construção da voz do campeão
– Dublador comentou a recepção dos jogadores
Dar voz a um campeão de League of Legends (LoL) vai muito além de reproduzir falas do campeão. No caso de Jarvan IV, um dos nomes mais populares de Runeterra, isso não é diferente. Responsável por interpretar o príncipe de Demacia em português, Alex Barone conversou com a Pichau Arena. O dublador explicou como foi o processo de entrada no projeto e assumir um personagem.
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O trabalho para dar voz a um campeão começa muito antes da gravação. Entre o primeiro contato com o projeto e a versão final que chega aos jogadores, existe um processo que passa por sigilo, direção e preparação vocal. Segundo o dublador, a construção de Jarvan IV começou ainda antes de ele entrar na cabine.
“O Jarvan, é um personagem que exige muito da voz da gente, da minha voz, né? Então, quando o pessoal do estúdio me chamou, falou: “Olha, tem um personagem novo”. Nada podia ser falado, né? Tudo muito guardado, e tem que ser mesmo”, afirmou.

“Quando eu fui para a estante de gravação para fazer, aí eles me explicaram: “Olha, esse personagem é o príncipe Jarvan IV, e ele tem uma força assim e assim, ele tem o lance da lealdade, da força, ele luta junto, ele está em campo”. E eu, entendendo ali como é que ele funcionava, comecei a receber as referências de voz”, completou.
Como funciona a dublagem em games?
A fala de Alex ajuda a explicar uma curiosidade da dublagem em games. Ao contrário de filmes e animações, o ator muitas vezes não trabalha com a imagem em cena como principal apoio. Em muitos casos, a referência disponível é apenas o áudio original.
“Para quem não sabe, na localização ou, em outro termo, na dublagem de game, a gente só tem a referência de áudio. Então, você ouve a referência do original e reproduz. E, na hora em que eu ouvi pela primeira vez aquela voz forte, né?, eu falei: “Caramba, aqui eu vou precisar entender que recurso eu vou usar, porque a minha voz não tem o mesmo punch dele, mas a gente tem recurso”

“E aí eu precisei encontrar esse recurso para fazer. E, quando eu comecei a conhecer o caminho desse personagem no LoL, eu achei muito legal. Aí eu fiquei: “Que legal, o cara é um monstrão”
O trabalho de dublagem no LoL
No caso do LoL, o processo de localização se torna ainda mais específico porque as falas de um campeão precisam funcionar em diferentes situações: início de partida, movimentação pelo mapa, habilidades e interações com outros personagens. Alex explicou que essa construção não acontece sozinho dentro do estúdio, mas em conjunto com profissionais que ajudam a guiar a interpretação de cada linha.
“A gente trabalha dentro do estúdio em trio. Então tem um técnico de áudio captando tudo e passando para mim a referência original. Tem um diretor que está a par de tudo. O primeiro diretor com quem eu gravei foi o Glauco, depois o Vitor Melo. E eles têm um conhecimento bem mais amplo de todos os personagens”

“Então, na hora de me passar, às vezes eu acho que um “uh” é uma coisa, mas, na verdade, ele está com a referência e fala: “Não, esse ‘uh’ não é disso que você pensou”. Ou uma fala clássica, que é “um bom dia para morrer”. Essa frase é muito dúbia, ela dá vários sentidos. Então, se você não acerta na entonação que o diretor te passa, amparado pelo briefing que ele tem da Riot, a gente fica sem referência.Quando o diretor fala: “Não, nesse momento está acontecendo isso”, aí você vai, pega a referência de voz, o tom da voz original e a indicação do diretor”, explicou.
A busca por um Jarvan IV próprio
Outro ponto da construção do personagem é que, por se tratar de uma localização, o campeão já possui um vocal. Com isso, a versão brasileira precisa respeitar essa base. Segundo Alex, o processo passou por encontrar um caminho próprio para o personagem, mas sem se afastar do que Jarvan IV representa dentro do jogo.
“O Jarvan tinha uma outra voz, e, quando eu entrei, eu precisava da referência do original, e a gente buscou um caminho meu para ele. E que é diferente, não tem jeito. O processo de criação é isso: eu preciso ouvir muito o que o diretor fala e o que está acontecendo naquele momento no jogo.

“Porque eu não posso criar muito em cima, inventar. Claro, tem uma fala, uma coisinha assim em que ele está, sei lá, passando por um momento, isso é mais meu. Mas tudo que está ali a gente tem que respeitar bastante. Então é um processo criativo, mas no sentido de deixar ele muito parecido com o original na nossa versão”
A recepção dos jogadores
Dentro do estúdio, o trabalho é controlado. Fora dele, a resposta fica nas mãos da comunidade. No LoL os jogadores costumam criar uma relação com os campeões e suas falas. Com isso, o dublador contou que boa parte desse retorno chega pelas redes sociais, e que a recepção ao trabalho foi positiva.
“Isso é muito interessante. Tem muita gente que chega até a gente através das redes sociais, comentando do jogo e falando e tal. Claro que, quando eles vêm para falar com a gente, são as pessoas que gostam do trabalho”, disse o dublador.

“Então rola uma conexão muito boa, porque é muito gostoso saber que quem está do outro lado está falando: “Pô, eu gosto do seu trabalho, ficou legal. Quando eu estou jogando, eu gosto quando ele fala isso, quando ele fala aquilo”. Então essa conexão é muito mais através de rede social”, completou Alex.
Entre a voz e o personagem
Mesmo depois do lançamento, no entanto, o processo não termina por completo para quem está do outro lado do microfone. Alex revelou que ainda leva tempo para conseguir se distanciar do próprio trabalho e enxergar o personagem como algo separado da sua voz.
“Eu sou muito autocrítico, então, em qualquer personagem que eu faço de dublagem, para mim demora muito tempo para desconectar o que sou eu e o que é o personagem. E isso às vezes faz a gente sofrer, porque, pô, é tão legal você ver ou tentar escutar como… Só que a autocrítica às vezes leva a gente para: “Hum, podia ter feito isso aí diferente, podia ter ficado melhor”. Mas, quando dá para ficar melhor, dentro do estúdio isso é resolvido”, revelou.
Mas aquilo é entregue, o que precisava ser entregue mesmo. Então, passando a barreira da autocrítica, aí a gente começa a enxergar a beleza que é quem criou, quem fez, até chegar na gente. Porque aí deixa de ser a gente”, finalizou o ator.
Quem é Alex Barone?
Ator, dublador, locutor e apresentador de televisão, Alex Barone começou na dublagem em 2012. Ao longo da carreira, participou de diferentes produções no cinema e nos games, dando voz a personagens de franquias conhecidas.
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Entre os trabalhos no universo dos jogos, estão personagens de títulos como Crash Bandicoot 4: It’s About Time, em que participou da dublagem de Crash Bandicoot, além de Ghost of Tsushima, no papel de Takeshi.