| Getting your Trinity Audio player ready... |
– Estudo encontrou substâncias potencialmente cancerígenas e desreguladoras hormonais em 81 modelos de fones
– Comprimidos químicos como BPA e BPS podem migrar do plástico para o corpo via contato com a pele
– Especialistas pedem regulamentação mais rígida e maior transparência
Conforme publicado pelo TechSpot na última quarta-feira (18), pesquisadores europeus alertaram recentemente para a presença de substâncias químicas perigosas associadas ao câncer e a distúrbios hormonais em headphones populares disponíveis no mercado, de marcas reconhecidas a alternativas mais baratas, após análise de dezenas de modelos.
- CES 2026: Razer mostra headset que vê, ouve e pensa por você
- ASUS lança headset que promete melhor áudio da história
O estudo, conduzido pelo coletivo civil ToxFree LIFE for All, testou 81 fones de ouvido e headphones, incluindo dispositivos in-ear e over-ear de fabricantes como Bose, Samsung, Panasonic e Sennheiser.
Os resultados revelaram que todos os aparelhos continham substâncias químicas que podem causar câncer ou desregular o sistema endócrino, o conjunto de hormônios que regula funções corporais essenciais.
Quais são os químicos identificados?

Os compostos mais recorrentes foram os chamados “forever chemicals” (químicos permanentes):
Bisfenol A (BPA) – encontrado em 98% dos dispositivos, usado para tornar o plástico mais rígido;
Bisfenol S (BPS) – detectado em mais de 75% dos casos, substituto comum do BPA;
Ftalatos, parafinas cloradas e retardantes de chama – outros compostos com possível ligação a danos ao fígado, rins e sistemas hormonais.
Estudos anteriores e agências de saúde internacional já associaram os bisfenóis a efeitos adversos à saúde, incluindo câncer, desregulação hormonal, feminização em homens e efeitos no desenvolvimento infantil.
Como as substâncias entram no corpo?
Os especialistas explicam que o problema não é apenas a presença desses químicos nos produtos, mas a possibilidade de migração da substância do plástico para o corpo humano, especialmente pela pele.
O contato prolongado, comum durante longas sessões de uso diário ou enquanto se pratica esportes, pode facilitar que BPA, BPS e outros tóxicos sejam absorvidos por meio do suor e da temperatura elevada próximo à pele.
Segundo os pesquisadores do relatório, essa exposição pode não causar efeitos imediatos, mas a exposição contínua ao longo de anos pode representar riscos significativos à saúde, sobretudo entre crianças e adolescentes, cujo sistema endócrino ainda está em desenvolvimento.