Otherside Tapes: Favela leva o terror psicológico para uma favela fictícia do Rio de Janeiro. Desenvolvido pela Pulsatrix, estúdio brasileiro, o jogo foi lançado há pouco mais de uma semana e coloca o jogador em uma comunidade que sofreu uma série de desaparecimentos. A Pichau Arena teve a oportunidade de experimentar o título com exclusividade e traz as primeiras impressões da experiência.
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Premissa do jogo
A história se passa em 2006. O jogador acompanha Cláudio da Silva, um criador de conteúdo que entra na Favela das Almas para encontrar a Rua 7. O local tem uma história marcada por desaparecimentos e por um incêndio que destruiu a comunidade anos antes.
A exploração acontece pela câmera de Cláudio, no estilo found footage. Então, tudo o que aparece na tela é registrado pelo próprio personagem, como se o jogador estivesse assistindo às gravações feitas durante a investigação. O problema começa quando Cláudio percebe que não consegue mais deixar a favela. As ruas e construções começam a mudar, e uma entidade parece estar por trás do que acontece.
Como se joga
Em primeira pessoa, o jogo leva Cláudio por becos, casas, lajes e passagens escondidas. Com isso, o jogador passa a explorar a comunidade, encontrar pistas e tentar descobrir uma saída. Por ser um criador de conteúdo, a câmera tem um papel importante nessa experiência. Como o jogador enxerga tudo por meio dela, a qualidade da imagem interfere na exploração. No começo, é possível observar os espaços sem grandes dificuldades, mas isso muda conforme a jornada avança. O flash começa a se tornar necessário e a bateria não pode acabar nos momentos errados.
Outro detalhe é como a própria Favela das Almas muda a percepção do jogador. No início, o lugar parece grande, cheio de ruas e caminhos. Mas, depois de passar várias vezes pelos mesmos becos e casas sem encontrar uma saída, essa sensação dá lugar a outra, a de estar preso em um espaço que parece cada vez menor.

Com isso, o jogo começa a brincar com a memória de quem está jogando. Os caminhos já conhecidos deixam de ser confiáveis, ambientes familiares aparecem diferentes e nem sempre é possível reconhecer um lugar no qual o jogador acabou de passar. A repetição, que poderia tornar a exploração cansativa, acaba sendo uma das tensões.
Ambientação e som
Um dos pontos de Otherside Tapes: Favela é o cenário. Por ser uma produção brasileira ambientada no Rio de Janeiro, o jogo traz referências que fazem parte do cotidiano e que podem ser facilmente reconhecidas pelo público daqui. Cadeiras de plástico, bares de esquina e grafites nos muros. Em uma das paredes, por exemplo, aparece a conhecida frase “Deus é Fiel”.

O áudio segue a mesma proposta. O jogo conta com dublagem e legendas em português do Brasil, e Cláudio tem sotaque carioca. Pode parecer um detalhe simples, mas faz diferença na hora de acompanhar a história. Em vez de parecer apenas um personagem colocado em um cenário brasileiro, o protagonista também tem características que combinam com o ambiente.
Recepção inicial
Lançado em 22 de outubro na Steam, Otherside Tapes: Favela já começou a receber avaliações dos jogadores. Até o momento, o título aparece com a classificação “Muito Positivo”, com 92% de avaliações positivas entre as 88 publicadas na plataforma.
Como o lançamento ainda é recente, a quantidade de análises é pequena e pode mudar nas próximas semanas.
Primeiras impressões
O título acertou muito na escolha do cenário e na forma como utiliza os espaços para criar tensão. A repetição dos becos e das casas pode até causar certa sensação de cansaço em alguns momentos, mas faz sentido dentro da proposta do jogo, no qual quanto mais o jogador tenta se localizar, menos parece entender aquele lugar. É uma dinâmica que funciona bem para a história e faz com que até os caminhos já conhecidos gerem desconfiança.

Além disso, a identidade brasileira, apesar da tensão, torna tudo mais divertido. Não são apenas as referências espalhadas pelo mapa, mas a maneira como elas fazem parte da experiência sem parecer algo colocado ali apenas para chamar atenção. A Favela das Almas tem elementos que remetem a lugares reais, e isso torna ainda mais interessante acompanhar como o jogo se torna em um ambiente tão familiar em um cenário de terror.


