– Procura por DRAM para centros de IA impulsionam preços
– Empresas priorizam lucro à disponibilidade
– Solução para o consumidor: buscar hardware antigo
Em um movimento que desafia a lógica da evolução tecnológica, o mercado de hardware em 2026 está testemunhando um fenômeno curioso: o ressurgimento massivo de componentes considerados obsoletos.
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De acordo com relatórios recentes do setor, as vendas de placas-mãe compatíveis com memória DDR3 saltaram entre duas a três vezes no mercado de entusiastas (DIY), especialmente na China.
Esse “retrocesso” é uma resposta direta à severa crise global de semicondutores que fez os preços das memórias DDR5 e DDR4 dispararem, tornando a montagem de PCs modernos um luxo inacessível para grande parte dos consumidores.
A Crise das Memórias Modernas e o “Efeito IA”
O principal motor dessa tendência é a escassez global de DRAM, agravada pela demanda insaciável dos centros de dados voltados para Inteligência Artificial. Analistas preveem que um kit de 32GB de memória DDR5 pode chegar a custar US$ 500 ainda este ano, um aumento de mais de 60% apenas no primeiro trimestre de 2026.
Mesmo a memória DDR4, que antes era o refúgio para orçamentos limitados, viu seus preços dobrarem nos últimos meses, à medida que a produção diminui e os fabricantes priorizam chips de maior margem para servidores. Com as novas plataformas da Intel e AMD exigindo exclusivamente DDR5, o custo de entrada para um PC de última geração tornou-se excessivo.

O Refúgio no Hardware Usado e Plataformas X99
Diante desse cenário, consumidores e montadores de baixo custo estão voltando seus olhos para o mercado de usados e para componentes de estoque antigo.
Isso é, placas-mãe que suportam processadores Intel da 6ª à 9ª geração, pareadas com memórias DDR3, tornaram-se itens de alta rotatividade devido à facilidade de encontrar módulos de memória em sistemas de escritório aposentados.
Outro destaque é a popularidade das placas-mãe X99 de baixo custo produzidas na China, que permitem o uso de processadores Xeon de alta contagem de núcleos e memórias DDR3 ECC registradas, oferecendo um desempenho multitarefa robusto por uma fração do preço de um sistema moderno.
Embora essa mudança pareça um retrocesso técnico, ela reflete a resiliência do mercado de hardware em tempos de crise. Para muitos usuários, a prioridade deixou de ser a busca pela tecnologia mais recente e passou a ser a viabilidade econômica de manter um computador funcional.
Enquanto a oferta de memórias modernas não se estabilizar, o que especialistas não esperam que aconteça antes de 2027, o “silício antigo” continuará a desempenhar um papel vital na manutenção do ecossistema de PCs domésticos.