– Intel priorizou inferência em vez de treinamento, perdendo espaço na principal frente da IA.
– Aceleradores como Gaudi têm baixa adoção; Falcon Shores foi cancelado.
– Sob comando de Lip-Bu Tan, a empresa deve mudar foco para design e eficiência real em IA.
Conforme publicado pelo WCCFTech no último domingo (06), nos últimos anos, a corrida por chips voltados à inteligência artificial (IA) transformou o setor de tecnologia, mas uma das maiores fabricantes de semicondutores do mundo ficou para trás. A Intel, que por décadas dominou o mercado com os processadores, hoje enfrenta duras críticas por decisões estratégicas que a afastaram da linha de frente da revolução da IA. E, pela primeira vez, até um de seus principais líderes admite: a empresa errou feio.
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Durante sua gestão, o ex-CEO Pat Gelsinger apostou que o principal valor da IA estaria na inferência, etapa em que modelos já treinados são utilizados em tempo real. Enquanto isso, rivais como a NVIDIA investiam pesado em soluções para treinamento de modelos, área que rapidamente se tornou o motor da nova economia de chips.
A diferença de visão estratégica custou caro, uma vez que enquanto concorrentes dominaram os data centers, a azulzinha permaneceu presa a produtos de uso geral, sem conseguir entregar aceleração real em escala.
Atrasos, cancelamentos e pouca adoção
Mesmo com a linha Gaudi de aceleradores de IA disponível no mercado, a adoção tem sido modesta. Prova disso é que grandes empresas de nuvem ainda evitam os chips da Intel, optando por soluções mais maduras e eficientes.
Projetos como o Falcon Shores, antes tidos como promissores, foram cancelados, e só agora a marca começou a falar na nova geração de GPUs Jaguar Shores, prevista para 2025. Enquanto isso, NVIDIA e AMD já capitalizam bilhões com suas arquiteturas específicas para IA.
Um reposicionamento tardio
Com a nomeação de Lip-Bu Tan como novo CEO, o Time Azul parece reconhecer que precisa mudar rápido. Um dos sinais mais claros disso é o afastamento do modelo IDM 2.0, no qual a empresa controlava tanto o design quanto a fabricação dos chips. Embora essa abordagem parecesse promissora em teoria, os altos custos, atrasos de produção e a baixa competitividade acabaram prejudicando a companhia.
Por fim, Tan deve priorizar design e eficiência energética, reorientando o foco para o que realmente importa no momento: desenvolver chips que consigam competir com os padrões atuais de performance em IA. Com o mercado avançando em ritmo acelerado, o executivo sabe não há mais espaço para apostas de longo prazo, e a Intel precisa entregar resultados agora.
