| Getting your Trinity Audio player ready... |
– China formou duas alianças lideradas por empresas como Huawei, StepFun e SenseTime para criar um ecossistema nacional de IA
– A iniciativa visa romper com a dependência dos EUA, especialmente após sanções
– O país também propôs um novo organismo de governança global de IA, com sede em Xangai
Conforme publicado pela Reuters na última segunda-feira (28), a China anunciou uma aliança estratégica interna de inteligência artificial (IA) com o objetivo de reduzir a dependência de tecnologia dos EUA, num movimento recente que vem ganhando destaque nas principais conferências globais de tecnologia.
- Veja como a China transforma placas de vídeo gamer em aceleradores de IA
- US$1 bilhão em placas proibidas da NVIDIA já entraram na China secretamente: entenda
Durante a conferência World Artificial Intelligence Conference (WAIC) em Xangai, o país lançou duas coalizões robustas: a Model‑Chip Ecosystem Innovation Alliance, liderada por empresas como Huawei, Biren, Moore Threads e StepFun, e o Shanghai General Chamber of Commerce AI Committee, que reúne nomes como SenseTime, MiniMax, Metax e Iluvatar CoreX.
A primeira visa conectar toda a cadeia da tecnologia doméstica, de chips a modelos de linguagem (LLMs) e infraestrutura, enquanto a segunda busca implementar a IA na indústria chinesa, integrando software e hardware em aplicações reais.
China se prepara para responder

A estratégia surge como resposta direta às restrições de exportação dos EUA, que desde 2022 barram o acesso de empresas chinesas a chips avançados da NVIDIA e outras fornecedoras ocidentais. Em um momento em que tais sanções ameaçam o desenvolvimento da IA na China, as alianças são vistas como um passo decisivo para estabelecer um ecossistema autossuficiente, cooperativo e menos vulnerável a influências externas.
Durante o evento, a Huawei também apresentou o sistema CloudMatrix 384, que utiliza cluster de 384 chips 910C e supera o chip GB‑200 da verdinha em algumas métricas, segundo análise da SemiAnalysis. É o tipo de tecnologia que a aliança pretende padronizar internamente, com protocolos que permitam interoperabilidade entre diferentes arquiteturas e softwares domésticos.
Líderes se posicionam
O momento político reforçou a urgência dessa iniciativa, visto que nos corredores da WAIC, o Premier Li Qiang destacou a importância da cooperação global em IA, mas também criticou a monopolização tecnológica por parte de poucas potências, observando que a IA não pode ser campo exclusivo de alguns países.
Por fim, a proposta inclui ainda a criação de um organismo internacional com sede em Xangai para governança multilateral de IA, sinalizando disposição para liderar além das fronteiras nacionais.